Meg cabot e o diário de uma princesa

Pois é, pois, é, pois, é. É isso aí. A resenha de hoje vai ser razoavelmente… diferente. É sobre um livro de menina. Feita por um menino.

Com certeza, tem gente que vai dizer que quem diz que O Diário da Princesa é livro de menina — eu — está estereotipando, tem a mente fechada e blá-blá-blá. Mas, poxa, pensem comigo: o livro é narrado por uma menina, conta a vida dessa menina, traz dúvidas relacionadas à puberdade feminina, por exemplo, que a maioria das meninas tem, então, para mim, é inegavelmente um livro de menina.

(Ah! E se você é menino e tem dúvidas a respeito da puberdade feminina, lave as mãos antes de me cumprimentar, ok?)

Voltando, a questão é: por que um menino não pode ler um livro de menina?

A autora de O Diário da Princesa é Meg Cabot. Conhecida por escrever mais de sessenta livros para vários públicos, é considerada por muitos a mestra de seu gênero. A Mediadora e Cabeça de Vento são duas de suas séries mais conhecidas.

Recentemente, foi lançado no Brasil Quando Cai o Raio, primeiro volume da série Desaparecidos, e Insaciável, seu primeiro livro sobre vampiros.

A editora Galera Record detém os direitos de publicação de todas as obras juvenis da autora, do gênero conhecido como teen lit., e a editora Essência é responsável pelos romances mais adultos.

Suponho que muita gente já conhece a história, visto que foram feitas duas adaptações dos livros para as telonas, estreladas por Anne Hathaway, mas, de qualquer forma, o assunto principal é a enorme reviravolta que acontece na vida de uma adolescente de quinze anos que se considera uma aberração e descobre ser a princesa da pequena monarquia parlamentarista de Genóvia.

(ufa!) O primeiro livro dos dez da série se baseia, basicamente, na saga de Mia tentando adquirir bons modos — modos dignos de uma princesa —, lidando com a grande revelação que lhe foi feita e suando litros e mais litros para resolver exercícios de álgebra.

A narrativa flui muito bem. Mas muito bem mesmo! Todo o livro é escrito em forma de diário — ah vá, Pedro! — e realmente se parece com um. Às vezes, eu me sentia como se estivesse lendo o da minha irmã escondida.

Só faltava o cadeadinho, a caçada incansável por ele e aquela adrenalina de poder ser pego a qualquer momento. (Irmãos mais novos que nunca leram o diário da irmã que atirem as primeiras pedras. Aliás, antes de atirarem as pedras, leiam o diário das suas irmãs! Vocês não vão se arrepender, juro!)

As menos de trezentas páginas do livro voam, e a narração em primeira pessoa é muito engraçada. Mia faz um breve resumo de seu dia, enumera as coisas que deve fazer e, quando necessário, narra algum fato

Aqui vai um aviso extremamente relevante: se você está acreditando que ler Meg Cabot vai te ajudar a entender as mulheres, eu só te digo uma coisa: ESQUECE! É bem provável que só te complique ainda mais.

É melhor nós nos conformarmos, amigos: o cérebro feminino é deveras complexo para nossa compreensão. No entanto, você encontrará alguns excelentes exemplares dessa espécie tão adorada e admirada por nós, obtendo, pois, material para algumas boas horas de análise:

Grandmère, a avó de Mia — cof cof um doce de pessoa cof cof — e Lilly, sua melhor amiga — uma garota particularmente interessante, por exemplo. Isso para não falar na própria Mia, que é realmente engraçada.

O livro não traz discussões sobre absorventes nem nada do tipo. Só umas descrições aqui e acolá mais detalhadas de Michael, o irmão da melhor amiga de Mia, por quem ela se apaixona. E é claro, todas aqueles devaneios e dramas de garota que, na minha opinião, são bem divertidos de se ler. Enfim, nada que esses romances YA de hoje em dia não tenham. É um retrato bem humorado dessa fase conturbada pela qual toda adolescente passa, e nós podemos identificar pessoas de nosso convívio em Mia (ainda que a maioria delas não tenha que governar um país inteiro). É uma ótima forma de mudar aquela imagem negativa de que todas as adolescentes são fúteis que às vezes são passadas por alguns filmes e livros.

Enfim, eu realmente recomendo O Diário da Princesa para você, macho, para você, fêmea, e também para você, Ariadna da vida! Mesmo que não seja o seu tipo de livro — e não é o meu — é excelente para dar uma variada, ler algo diferente quando você está saturado de determinado gênero.

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